29 de setembro de 2026 - 16:56

Linkin Park lança documentário sobre retorno da banda

Dirigido por Joe Hahn, “Linkin Park: Unshatter” acompanha a reformulação do grupo e os bastidores da volta aos palcos.
Por Mariana Rolim - Educadora FM 90.9 • Atualizado há 2 horas

Foto: Reprodução Instagram

O retorno do Linkin Park ganhou um novo capítulo. Depois do lançamento de “From Zero”, em 2024, três singles no topo da parada Mainstream Rock e duas indicações ao Grammy, a banda apresenta os bastidores do processo que marcou sua volta aos palcos.

O documentário “Linkin Park: Unshatter”, dirigido pelo integrante Joe Hahn, chega aos cinemas em lançamento limitado nesta terça-feira (30). Cinco dias antes, o grupo lança o álbum ao vivo “Unshatter (Live in São Paulo)”.

O show realizado em São Paulo em 15 de novembro de 2024, mesma data do lançamento de “From Zero”, conduz a narrativa do filme. A produção acompanha a decisão do Linkin Park de retomar as atividades seis anos depois da morte do vocalista Chester Bennington.

Desde 2000, o grupo havia vendido mais de 100 milhões de discos no mundo, colocado cinco álbuns no primeiro lugar da Billboard 200 e alcançado 19 singles no top 5 da Mainstream Rock.

“Originalmente, o filme estava previsto para ser só aquele show (em São Paulo), a experiência real de assistir ao show. Eu achei que aquilo não era suficiente”, conta Hahn à Billboard. “Eu senti que tudo merecia uma explicação. Eu quis realmente mostrar o que foi preciso para a gente se reerguer, explicar como isso aconteceu, porque há tanta coisa nova envolvida. Não é como apertar um botão; foi realmente um processo. O processo de fazer esse documentário também foi um processo de cura, porque envolveu muita reflexão, e reconhecimento de coisas que realmente deram certo. Eu acho que o sentimento geral é uma mensagem de esperança.”

São Paulo conduz a história do filme

O Linkin Park realizou dois shows em São Paulo durante aquela passagem pelo Brasil. A primeira apresentação aconteceu em 15 de novembro de 2024, e a segunda ocorreu no dia seguinte. Cada show reuniu cerca de 97 mil pessoas no estádio Nubank Parque.

Para Hahn, a escolha de São Paulo como parte central do documentário faz sentido pela relação construída com o público brasileiro.

“Não poderia ter um lugar melhor para fazer isso”, afirma. “Os brasileiros sempre imploraram para a gente ir tocar lá; a gente não tinha tocado muito por lá antes disso. E eles foram simplesmente… insanos.”

O músico também relembrou o período que antecedeu o retorno do grupo. Após a morte de Chester Bennington, em 20 de julho de 2017, o Linkin Park entrou em um hiato sem previsão de encerramento.

“A gente só ficou se movendo, se movendo, se movendo desde crianças”, ele explica, “ganhando sucesso quando a gente tinha, tipo, 20 anos. Não parou, e aí parou, e de repente a gente estava na casa dos 40. Para ter terminado do jeito que terminou, existem tantos sentimentos que vêm junto com isso — solidão, vergonha, você escolhe”.

“Eu acho que quando a gente começou a conversar de novo, havia muita empatia por todos os lados, e abertura — e também semelhança. A gente estava passando por coisas parecidas o suficiente para se identificar de um jeito que outras pessoas talvez não conseguissem, só por causa da nossa própria experiência de vida juntos. A gente é meio que uma banda velha, mas realmente se enxerga como uma banda nova ao mesmo tempo. De alguma forma, a gente conseguiu recomeçar e retomar de onde tinha parado. A gente fez isso pelos motivos certos, principalmente porque a gente ama a música, e ama estar junto.”

Bastidores mostram a reformulação do Linkin Park

Além das imagens dos shows de São Paulo, “Unshatter” apresenta registros da apresentação realizada em Los Angeles, em 11 de setembro de 2024. Na ocasião, o Linkin Park anunciou os planos de retorno, além da entrada da vocalista Emily Armstrong e do baterista Colin Brittain.

O documentário também acompanha as primeiras conversas entre Joe Hahn, Mike Shinoda e Dave “Phoenix” Farrell sobre a possibilidade de retomar a banda.

Mark Fiore, videomaker e amigo de infância de Farrell, acompanha o grupo desde os primeiros anos, quando ainda utilizava os nomes Xero e Hybrid Theory. Hahn o chama de “quase um sétimo integrante” e explica que a presença das câmeras já faz parte da rotina da banda.

“a gente já está tão acostumado que nem percebe mais que as câmeras estão ligadas. E quando eu saio em turnê, eu faço questão de levar uma câmera comigo e captar o máximo que eu conseguir… Às vezes pode ser meio chato, mas aí, dois anos depois, 10 anos depois, 30 anos depois, eu fico tipo: ‘Nossa, que bom que eu tirei aquela foto…’”.

Com uma hora e 50 minutos de duração, “Unshatter” leva o público pelo processo de reformulação do Linkin Park. A produção acompanha a chegada de Armstrong e Brittain, além da composição e gravação de “From Zero”.

Em uma das cenas, Mark Hoppus, do Blink-182, visita a banda e afirma sentir “arrepios” ao ouvir as novas músicas.

“Eu acho que a gente estava confiante no que estava fazendo”, relembra Hahn, “mas ao mesmo tempo, cheio de dúvidas. A gente é humano. Certas coisas passam pela sua cabeça — ‘A gente está fazendo a coisa certa?’, ‘O que fulano vai pensar?’. Algumas dessas coisas nunca desaparecem de verdade. Então, receber esse tipo de incentivo e contar uns com os outros para se incentivar, foi o que manteve a gente em pé.”

O filme também aborda a história do grupo e inclui imagens antigas de ensaios com Chester Bennington durante os créditos finais. No entanto, a narrativa se concentra principalmente nos acontecimentos recentes.

A decisão do baterista Rob Bourdon de não retornar aparece na produção. O documentário também aborda as conversas com Brad Delson, que tinha reservas sobre a retomada e acabou contribuindo para “From Zero”, mas decidiu não participar da turnê.

Segundo Hahn, o processo não envolveu um conflito semelhante ao retratado no documentário “Some Kind of Monster”, do Metallica.

“Eu simplesmente abordei isso da forma mais honesta possível, sem fabricar nada, sem procurar conflito”, ele diz. “As coisas que são óbvias vão simplesmente estar lá. Isso foi o resultado de algo terrível que aconteceu. É um filme sobre cura. As pessoas conhecem a história. Elas conhecem a tragédia envolvida e provavelmente já têm uma ideia do que aconteceu. Já tem o suficiente ali.”

Hahn também explicou por que decidiu dirigir o documentário.

“É impossível para qualquer pessoa de fora chegar e ser objetiva”, ele observa. “Elas estão tentando criar uma história. Vão procurar drama, grandes histórias, blockbusters, ou como você quiser chamar. O filme inteiro gira em torno de algum tipo de caos. Era importante para mim não fazer isso… e simplesmente contar a história que já existe ali.”

Linkin Park prepara próximos projetos

O lançamento de “Unshatter” acontece enquanto o Linkin Park começa a planejar os próximos passos. Segundo Hahn, a banda trabalha em novos videoclipes e voltou a compor.

Por enquanto, o grupo não definiu um cronograma para novas músicas. O integrante, porém, afirma que a intenção é não repetir o longo intervalo entre os trabalhos.

“Eu sinto que esse filme chega no momento perfeito para a gente”, diz Hahn. “Ele fecha tudo o que a gente fez desde From Zero e reflete sobre o que foi preciso para a gente chegar até aqui. Todo mundo ficou tipo: ‘Ok, vamos garantir que a gente tire pelo menos um mês de folga e depois vamos voltar ao trabalho’. Então agora a gente está compondo de novo. Não tem um cronograma, mas eu acho que existe uma urgência. A gente sabe que consegue trabalhar rápido, porque a gente está muito animado para produzir bastante, então não vai ser mais cinco anos, ou muito tempo, até a gente lançar algo novo. Ao mesmo tempo, a gente já esteve tão presente na vida das pessoas com (From Zero) que vai ser bom dar um respiro para elas, e depois se reunir de novo e criar algo realmente ótimo.”

Ao vivo