19 de maio de 2026 - 14:00

PL da Inteligência Artificial: setor cultural pede proteção aos direitos autorais

Carta enviada à Câmara dos Deputados reforça preocupação de artistas e entidades culturais
Por Camila Pimentel - Educadora FM 90.9 • Atualizado há 11 horas

Foto: Chat GPT

Representantes dos setores musical, audiovisual, editorial, jornalístico e dramatúrgico enviaram uma nova carta à Comissão Especial sobre Inteligência Artificial da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (19).

O grupo acompanha a discussão do Projeto de Lei nº 2.338/2023, que estabelece regras para o desenvolvimento e uso da Inteligência Artificial no Brasil.

O documento defende a preservação integral dos direitos autorais diante do avanço das ferramentas de Inteligência Artificial Generativa, como ChatGPT e Gemini.

Na carta, as entidades afirmam que criadores, intérpretes e produtores precisam manter o direito de autorizar o uso de suas obras no treinamento de sistemas de IA.

O texto também reforça a necessidade de garantir remuneração e controle sobre produções artísticas, músicas, livros, filmes e conteúdos jornalísticos.

“As entidades confiam que eventual substitutivo irá assegurar aos titulares de direitos autorais o pleno exercício dos seus direitos ao licenciamento, controle e remuneração pelo uso de suas obras, interpretações e produções”, escreveram.

O documento ainda cita a importância de respeitar a Constituição, a Lei de Direitos Autorais e tratados internacionais ligados à propriedade intelectual.

Entre as entidades que assinam o documento estão Pro-Música Brasil, União Brasileira de Compositores (UBC), Abramus, ECAD, Câmara Brasileira do Livro (CBL), Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), Federação da Indústria Cinematográfica e Audiovisual (FICA) e CISAC.

Paulo Rosa, presidente da Pro-Música Brasil, enviou oficialmente a carta à comissão.

Segundo as entidades, os setores criativos fornecem grande parte do conteúdo utilizado no treinamento das ferramentas de Inteligência Artificial Generativa.

Por isso, o grupo afirma que a regulamentação precisa equilibrar inovação tecnológica e proteção aos profissionais da cultura.

Além disso, as organizações destacam que a defesa dos direitos intelectuais ajuda a manter o funcionamento econômico das áreas criativas e evita prejuízos para autores, artistas, produtores e jornalistas.

A articulação entre representantes da cultura e o Congresso Nacional acontece desde 2024.

Durante esse período, entidades participaram de debates no Senado Federal e na Câmara dos Deputados para apresentar propostas relacionadas à proteção de direitos autorais no uso de Inteligência Artificial.

Segundo o documento enviado à Câmara, a criação de um substitutivo alinhado às demandas dos setores culturais pode permitir o desenvolvimento de sistemas de IA sem comprometer os direitos de criadores e produtores.

As entidades classificam a discussão como um passo importante para definir o futuro da relação entre tecnologia, arte e propriedade intelectual no Brasil.

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