19 de janeiro de 2026 - 13:40

Apollonia afirma que Prince autorizou uso de seu nome artístico antes de morrer

Por Camila Pimentel - Educadora FM 90.9 • Atualizado há 1 semana

Foto: Richard E. Aaron/Redferns

A modelo e atriz Apollonia declarou que Prince nunca teve a intenção de lhe causar prejuízo e que o espólio do cantor não deveria agir de forma diferente. A afirmação consta em uma nova declaração apresentada na sexta-feira (16) em um processo federal movido por ela contra os responsáveis legais pelos bens do artista.

Segundo Apollonia, Prince foi “enfático” ao afirmar, em um encontro presencial ocorrido dois meses antes de sua morte, que ela deveria continuar usando o nome artístico criado para sua personagem no filme Purple Rain (1984). A reunião aconteceu em 28 de fevereiro de 2016, logo após o show Piano and a Microphone, realizado por Prince em Oakland, na Califórnia.

Na ocasião, Susan Moonsie, integrante do grupo Apollonia 6, também participou do encontro. O grupo foi formado por Prince após o lançamento do filme.

Na declaração ao tribunal, Apollonia, nascida Patricia Kotero, afirmou que Prince incentivou a continuidade de atividades profissionais ligadas ao nome artístico. “Durante nossas conversas naquela noite, Prince foi enfático ao dizer que deveríamos continuar com nossos empreendimentos, como performances musicais, merchandising e projetos audiovisuais, e que ele queria que nós duas usássemos as marcas Apollonia e Apollonia 6 para podermos ganhar a vida, permanecer criativas e ter segurança financeira em nossos anos mais avançados”, escreveu.

Ela também alegou que Prince nunca registrou a marca com seu nome enquanto estava vivo. Segundo Kotero, a Paisley Park Enterprises (PPE), empresa que administra o espólio, extrapolou suas atribuições ao assumir o controle da marca Apollonia em junho do ano passado e ao tentar cancelar registros e pedidos apresentados por ela junto ao Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos.

Kotero pediu ao tribunal que rejeite o pedido do espólio para arquivar o processo. Em sua declaração, afirmou: “A verdade é que nada disso teria acontecido se Prince ainda estivesse vivo”. Ela acrescentou que o cantor “ficaria horrorizado com a conduta imprópria da PPE”.

Ainda segundo Apollonia, existe o receio de perder o direito de usar seu nome artístico. “Eu não confio na PPE e tenho medo de que, se a PPE conseguir atingir seu objetivo de tirar de mim as marcas Apollonia, minha identidade seja perdida, meus direitos sejam reduzidos, meu negócio seja interrompido e eu fique impossibilitada de usar as marcas Apollonia sem sofrer represálias da PPE”.

Apollonia entrou com a ação em agosto, alegando que “atuou de forma célebre” em Purple Rain e que Prince “consentiu e incentivou” o uso do nome antes de sua morte, ocorrida em abril de 2016, aos 57 anos, por overdose acidental de fentanil. Ela também afirmou ser “altamente provável” que o espólio a processasse por violação de marca registrada.

Por isso, solicitou ao tribunal uma declaração judicial que reconheça seu direito ao uso do nome Apollonia e das marcas associadas.

Em agosto do ano passado, o espólio publicou um comunicado no Instagram oficial de Prince afirmando que possui o dever de “proteger e preservar os ativos e o legado de Prince”. A nota também declarou que houve tentativas de resolver a disputa de forma privada e que Kotero recebeu convites para se apresentar em Paisley Park.

Em um pedido protocolado em 13 de outubro, o espólio afirmou que não pretende impedir Apollonia de usar o nome artístico. “O réu jamais ameaçou processar a autora, jamais pediu que ela cessasse o uso de seu nome artístico adotado, nem jamais solicitou que interrompesse qualquer uma de suas atividades comerciais”, diz o documento. O espólio também argumentou que a questão deveria ser resolvida pelo Escritório de Marcas, e não pelo Judiciário.

Disputa envolve musical de Purple Rain

Em uma queixa atualizada, Kotero afirmou acreditar que o espólio busca controlar o nome Apollonia para projetos como o musical Purple Rain, apresentado no State Theatre, em Minneapolis, com planos de seguir para a Broadway. Ela citou uma peça promocional que exibia a atriz Rachel Webb com o nome “APOLLONIA” em destaque.

Segundo Kotero, o uso da imagem viola seu direito de publicidade. “Os réus não têm autoridade para permitir que um terceiro use o nome, a imagem, a voz, a aparência ou outros elementos de identidade da autora, incluindo sua imagem do filme original”, afirmou.

O espólio respondeu que o uso do nome em materiais promocionais não sustenta uma alegação legal. “A autora apenas alegou que o réu utilizou o nome de uma personagem de Purple Rain, um filme no qual a autora apareceu anteriormente”, afirmou no pedido de arquivamento.

O advogado de Kotero, Daniel M. Cislo, declarou à Rolling Stone: “Estamos muito confiantes de que Apollonia prevalecerá na proteção de seu nome”. Uma audiência sobre o pedido de arquivamento do processo está marcada para 13 de fevereiro.

Após o sucesso em Purple Rain, Apollonia realizou turnês internacionais e lançou o sucesso “Sex Shooter”. Segundo o processo, ela e Prince mantiveram amizade ao longo da vida. A artista também colaborou com o cantor na composição de “Manic Monday”, gravada pelas Bangles, e participou da faixa “Take Me With You”.

Em 1985, Apollonia integrou o elenco da série Falcon Crest e, em 1988, lançou seu álbum solo autointitulado. Prince morreu sem deixar testamento ou filhos, o que resultou em disputas judiciais sobre o espólio, posteriormente dividido em partes iguais entre seus seis irmãos.

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