22 de julho de 2026 - 12:57

Luiz Carlos Barreto, um dos grandes nomes do Cinema Novo, morre aos 98 anos

Cineasta marcou a história do cinema brasileiro com mais de seis décadas de atuação e mais de 100 produções
Por Camila Pimentel - Educadora FM 90.9 • Atualizado há 6 horas

Foto: Divulgação

O cineasta e produtor Luiz Carlos Barreto morreu nesta quarta-feira (22), aos 98 anos. Conhecido como Barretão, ele construiu uma trajetória de mais de 60 anos no audiovisual brasileiro e participou de algumas das produções mais importantes da história do cinema nacional.

Internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, no Rio de Janeiro, Barreto tratava uma infecção pulmonar decorrente de uma pneumonia.

O velório acontecerá nesta quinta-feira (23), às 11h, no Palácio da Cidade, em Botafogo. Em seguida, a família realizará a cremação no Memorial do Caju.

Ao longo da carreira, Luiz Carlos Barreto dirigiu e produziu mais de 100 obras.

Sua participação começou ainda no movimento Cinema Novo, com filmes como “Vidas Secas” (1963) e “Terra em Transe” (1967).

Posteriormente, produziu títulos que marcaram o cinema brasileiro, entre eles “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, “Bye Bye Brasil”, “Memórias do Cárcere”, “Menino do Rio”, “O Quatrilho” e “O Que É Isso, Companheiro?”.

Os dois últimos levaram o Brasil à disputa do Oscar de Melhor Filme Internacional.

Ao longo da carreira, Barretão costumava resumir sua visão sobre a sétima arte em uma frase que se tornou conhecida: “O cinema é uma coisa útil, e não uma coisa fútil.”

A vida antes do cinema

Nascido em Sobral (CE), em 20 de maio de 1928, Luiz Carlos Barreto iniciou a carreira como fotógrafo da revista O Cruzeiro.

Como repórter-fotográfico, atuou também como correspondente na Europa, registrando personalidades como Frank Sinatra, Fidel Castro e Marilyn Monroe.

Foi nesse período que conheceu Glauber Rocha, durante as filmagens de “Barravento”, encontro que marcou sua entrada definitiva no cinema brasileiro.

Cinema Novo transformou sua carreira

Ao lado de Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos, Barreto participou da produção de “Vidas Secas”, considerado um dos principais filmes do Cinema Novo.

Sobre esse momento, ele relembrou uma conversa com Glauber Rocha: “Você vai fazer uma fotografia que ainda não foi feita no Nordeste.”

A partir dali, passou a atuar principalmente como produtor, ajudando a viabilizar projetos que se tornaram referências da cinematografia brasileira.

Família também fez história no cinema

Luiz Carlos Barreto era casado há 71 anos com a produtora Lucy Barreto.

Juntos, criaram a produtora LC Barreto, responsável por mais de 150 filmes. Os filhos Bruno Barreto, Fábio Barreto e Paula Barreto também seguiram carreira no audiovisual.

Em tom de humor, Barretão costumava comentar o envolvimento da família com o cinema: “O cinema é uma doença que, quando dá, dá na família inteira. Eu costumo dizer que a minha é a ‘Família Titanic’: se não der certo, vai pro fundo.”

Ao longo da trajetória, a família participou de produções que consolidaram o nome da LC Barreto como um dos principais estúdios do cinema brasileiro, deixando um legado que atravessa gerações.

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