05 de janeiro de 2026 - 13:28

Artistas venezuelanos reagem com cautela a captura de Nicolás Maduro

Cenário político da Venezuela provoca manifestações contidas de músicos no exterior
Por Camila Pimentel - Educadora FM 90.9 • Atualizado há 3 semanas

Foto: Reprodução Getty Imagens

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no início de sábado que forças norte-americanas capturaram o líder venezuelano Nicolás Maduro após uma operação militar em Caracas. Ao meio-dia, Trump falou de Mar-a-Lago e afirmou que os EUA administrariam o país durante uma “transição segura, adequada e criteriosa”. Enquanto a notícia avançava pelo mundo, artistas da diáspora venezuelana acompanharam o cenário com cautela nas redes sociais.

Nos últimos anos, a cena musical da Venezuela alcançou projeção internacional. O movimento ganhou força em 2016, quando Danny Ocean lançou “Me Rehúso”, canção que se espalhou pelas plataformas digitais e dialogou com a experiência da migração. Em 2025, esse processo chegou a um novo patamar com a estreia da banda Rawayana no Coachella e a conquista do Grammy com o álbum ¿Quién Trae las Cornetas? (2025).

Ao lado de nomes como a cantora Elena Rose e o rapper Akapellah, esses artistas passaram a usar a visibilidade fora do país para abordar o cenário político venezuelano. Ainda assim, diante do anúncio da operação militar dos EUA, a maioria optou por manifestações contidas.

Danny Ocean, que se apresentou na cerimônia do Prêmio Nobel da Paz em Oslo no mês passado e já declarou que não fará shows na Venezuela enquanto não houver democracia, compartilhou uma publicação de María Corina Machado.

No texto, a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025 elogiou a ação dos Estados Unidos e pediu “reconhecimento imediato de Edmundo González Urrutia como o presidente legítimo da Venezuela“. González Urrutia, candidato da oposição nas eleições de 2024, vive atualmente na Espanha após Machado ter sido impedida de concorrer.

Elena Rose, que colaborou com Ocean e Jerry Di na música “Caracas en el 2000”, publicou mensagens pedindo orações. “Esta é uma guerra espiritual”, escreveu em seu Instagram. “Permaneçam na luz”.

Já a cantora Joaquina compartilhou a frase “Abajo cadenas”, referência direta a um verso do hino nacional da Venezuela, que costuma simbolizar resistência e libertação.

Durante grande parte do dia, a banda Rawayana não se manifestou diretamente. No entanto, o lançamento recente do álbum ¿Dónde Es El After? (2026) passou a circular entre venezuelanos nas redes sociais. A faixa de abertura, “Si Te Pica Es Porque Eres Tú”, inclui o verso: “Feliz año te desea Rawa y que por fin los hijo de putas ya se vayan”.

No domingo, o grupo publicou “Tonada por ella”, canção escrita por Beto Montenegro em parceria com Servando Primera. A música aborda a experiência do exílio e chegou acompanhada de um número de telefone, que permite ao público ouvir áudios do escritor venezuelano Arturo Uslar Pietri sobre o modelo econômico do país.

Em 2024, após o lançamento de “Veneka”, parceria com Akapellah, Rawayana cancelou uma turnê na Venezuela. A música provocou reação pública de Maduro em meio a denúncias de fraude eleitoral. No ano seguinte, o grupo recebeu um Grammy Latino, ampliando a repercussão internacional do trabalho.

Entre os artistas citados, Akapellah adotou um tom mais direto ao comentar a situação. “Um tempo de transição está chegando”, escreveu no Instagram no fim do sábado. “Não sabemos o quão difícil será, mas todos sabíamos que precisávamos disso”.

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