20 de outubro de 2026 - 09:26

Amy Winehouse: álbum de estreia “Frank” completa 23 anos

Lançado em 2003, disco explora jazz, hip-hop e soul antes do sucesso mundial de “Back To Black”
Por Camila Pimentel - Educadora FM 90.9 • Atualizado há 11 horas

Foto: Reprodução Instagram

Nesta terça-feira (20), o álbum Frank, de Amy Winehouse, completa 23 anos. O trabalho marcou a estreia da cantora britânica e apresentou ao público uma artista que misturava jazz, soul e hip-hop em composições que ela começou a escrever ainda na adolescência.

A capa do disco também guarda uma história curiosa. Tímida e pouco à vontade diante das câmeras, Amy não gostava de posar para fotografias. Insatisfeita com as imagens escolhidas para divulgar o álbum, ela procurou Charles Moriarty, fotógrafo amador que conhecia por meio de amigos em comum.

A sessão aconteceu em uma noite de junho, durante o verão londrino, na tradicional Princelet Street, no leste de Londres. Nas fotografias, Amy aparece sorrindo, com o rosto corado e acompanhada por dois cachorrinhos da raça Scottish terrier que ela e o fotógrafo “pediram emprestado” ao dono naquela noite.

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Foto: Divulgação

A cantora ainda não havia completado 20 anos. Ela faria aniversário em setembro, no mês seguinte à sessão. Naquele momento, Amy estava no início da carreira e ainda não imaginava a dimensão que seu nome alcançaria nos anos seguintes.

Sete anos depois, em 2011, a artista morreu aos 27 anos. Amy deixou dois álbuns de estúdio lançados em vida e uma trajetória marcada pelo reconhecimento musical e pela perseguição constante dos paparazzi.

O que “Frank” revela sobre Amy Winehouse?

Se Back to Black apresentou uma atmosfera mais sombria, Frank trouxe outra perspectiva da cantora. Essa diferença, porém, não significa que um disco seja feito apenas de luz e o outro apenas de sombras. Como no yin-yang, os dois trabalhos carregam contrastes.

O primeiro álbum de Amy levou meses para alcançar a 13ª posição nas paradas britânicas, em janeiro de 2004, e logo saiu do ranking. O disco só voltou a ganhar espaço depois da morte da cantora, em 2011, quando chegou ao quinto lugar.

Nos Estados Unidos, o caminho foi ainda mais difícil. A combinação de neo-soul, jazz e linguagem do hip-hop que Amy apresentava não encontrou espaço para um lançamento oficial em 2003. O álbum só chegou ao mercado norte-americano quando Back to Black já fazia sucesso, em uma tentativa de aproveitar a repercussão de “Rehab” e de outras músicas do segundo disco.

Frank reúne canções que Amy escreveu anos antes do lançamento, algumas ainda na adolescência. O álbum também inclui duas colaborações e duas releituras: o standard de jazz “(There Is) No Greater Love” e “Moody’s Mood for Love”, que aparece no disco junto de “Teo Licks”.

Nesse trabalho, a cantora consolidou sua parceria com o produtor e músico Salaam Remi, com quem continuaria trabalhando ao longo da carreira. A produção incorporou elementos do lo-fi hip-hop, com ruídos e arranhados que remetem à reprodução de um vinil antigo.

O resultado apresenta uma Amy que experimentava sonoridades e colocava suas referências em diálogo. Ao mesmo tempo, as canções já revelavam a maneira como ela transformava experiências pessoais, especialmente as relacionadas ao amor, em música.

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Foto: Reprodução Instagram

Apesar da importância de Frank para sua trajetória, Amy não escondia a insatisfação com o resultado e com a divulgação do projeto. Meses depois do lançamento, a cantora criticou a interferência da gravadora e a forma como o álbum chegou ao público.

“Algumas coisas deste álbum me fazem ir para um lugar amargo pra caralh*. Nunca ouvi o álbum do início ao fim. Não tenho uma cópia em casa. O marketing foi uma merd*, a promoção foi terrível. Foi tudo uma bagunça”.

Embora ainda estivesse distante da fase que marcaria Back to Black, Frank registra um momento em que Amy ainda sorria diante das câmeras e encontrava espaço para experimentar musicalmente. O álbum também deixa transparecer as dores amorosas que atravessavam suas composições, antes de a cantora enfrentar um ciclo cada vez mais destrutivo.

A vida de Amy

A artista cresceu em uma família ligada à música, em Southgate, Londres. Filha de Mitch, motorista de táxi, e Janes, farmacêutica, ela também convivia com tios músicos profissionais. Uma história que circulava sobre a família dizia que sua avó teria tido um relacionamento com Ronnie Scott, uma das referências do jazz britânico.

Por volta dos 13 ou 14 anos, Amy ganhou o primeiro violão e começou a compor. Ela estudou na Sylvia Young Theatre School, escola de artes cênicas conhecida no Reino Unido, mas acabou expulsa aos 16 anos depois de aparecer com um piercing no nariz. Segundo relatos, a instituição considerava que ela não se “enquadrava” em sua proposta.

A postura de Amy diante das regras também aparecia na música. Durante a adolescência, ela ouviu artistas como Salt-N-Pepa e chegou a formar um grupo de rap que não durou muito tempo. Suas referências atravessavam gêneros e ajudaram a construir uma identidade musical própria.

Já adulta, Amy Winehouse passou a ser comparada a Sarah Vaughan e Macy Gray. Também recebeu associações com artistas como Nina Simone e Erykah Badu, nomes que ajudam a entender a mistura de influências presente em seu trabalho.

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