18 de agosto de 2026 - 08:44

Laura Cardoso morre aos 98 anos em São Paulo

Atriz acumulou mais de oito décadas de carreira no rádio, teatro, cinema e televisão e participou de mais de 100 produções
Por Camila Pimentel - Educadora FM 90.9 • Atualizado há 60 minutos

Foto: Divulgação

Laura Cardoso, um dos nomes de longa trajetória na dramaturgia brasileira, morreu aos 98 anos nesta terça-feira (18), em São Paulo. A família confirmou a morte nas redes sociais.

Segundo Fátima Cardoso, filha da atriz, Laura passou mal em casa, no bairro de Sumaré, na Zona Oeste da capital paulista, por volta das 23h20 desta segunda-feira (17), e morreu naquela noite.

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Nascida Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni, em 13 de setembro de 1927, no bairro da Bela Vista, em São Paulo, Laura era filha de imigrantes portugueses. Ainda criança, já gostava de brincar de interpretar personagens. Aos seis anos, costumava se fantasiar com uma amiga e encenar histórias na rua.

Aos 15 anos, decidiu transformar a brincadeira em profissão. Em 1942, iniciou a carreira em radionovelas na Rádio Cosmos, em São Paulo.

Poucos anos depois, Laura acompanhou os primeiros momentos da televisão no Brasil. Em 1952, estreou no programa “Tribunal do Coração”, da recém-inaugurada TV Tupi.

A partir daí, passou por emissoras como Tupi, Record, Excelsior, Bandeirantes e Cultura. Nesse período, também participou de teleteatros e novelas que fizeram parte da formação da televisão brasileira.

Entre seus trabalhos estão “Um Lugar ao Sol” (1959) e “Ídolo de Pano” (1975).

Paralelamente à televisão, a atriz manteve uma trajetória no teatro. Em 1990, recebeu o Prêmio Shell de Melhor Atriz por “Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu”. Três anos depois, conquistou novamente o prêmio pela atuação em “Vereda da Salvação”.

Em 1981, Laura Cardoso estreou na Globo após um convite do diretor Daniel Filho. Seu primeiro trabalho na emissora foi “Brilhante”, novela de Gilberto Braga.

Na produção, interpretou Alda Sampaio, mãe da protagonista Luiza, vivida por Vera Fischer. Ao longo da passagem pela Globo, Laura participou de mais de 60 novelas.

Depois de dois trabalhos na TV Bandeirantes, retornou à Globo e iniciou uma parceria recorrente com o autor Walther Negrão. Entre os projetos da dupla estão “Pão-Pão, Beijo-Beijo” (1983), “Livre para Voar” (1984) e “Fera Radical” (1988).

Personagens que marcaram a televisão

Durante os anos 1990, Laura Cardoso integrou novelas que se tornaram referências da dramaturgia brasileira.

Em “Rainha da Sucata” (1990), de Silvio de Abreu, e “Felicidade” (1991), de Manoel Carlos, a atriz ampliou sua presença na televisão.

Depois, em “Mulheres de Areia” (1993), interpretou Isaura, mãe das gêmeas Raquel e Ruth, personagens de Gloria Pires.

No ano seguinte, viveu Guiomar em “A Viagem”, personagem que recebia a influência de um espírito e fazia parte da trama sobrenatural da novela.

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Foto: TV GLOBO / Bazilio Calazans

Em 1995, Laura interpretou Sinhana, mãe de João, Jerônimo e Duda na segunda versão de “Irmãos Coragem”. No mesmo ano, viveu a cigana Soraya em “Explode Coração”, primeira novela gravada no Projac, complexo de estúdios que posteriormente passou a se chamar Estúdios Globo.

Laura também assumiu personagens em produções de tom mais leve. Em “Chocolate com Pimenta” (2003), interpretou Carmem, avó da protagonista e integrante do núcleo caipira da novela de Walcyr Carrasco.

A atriz também esteve em “A Padroeira” (2001), “Esperança” (2002), “Hoje é Dia de Maria” (2005), “O Profeta” (2006) e “Duas Caras” (2007).

Em “Caminho das Índias” (2009), interpretou Laksmi Ananda, matriarca indiana. A novela conquistou o Emmy Internacional de Melhor Telenovela.

Depois, Laura participou do remake de “Gabriela” (2012), além de “Flor do Caribe” (2013), “Império” (2014), “Boogie Oogie” (2014), “Sol Nascente” (2016) e “O Outro Lado do Paraíso” (2017).

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Foto: Cesar Alves/Globo

Seu último trabalho em uma novela foi “A Dona do Pedaço”, em 2019.

Atriz também construiu trajetória no cinema

A relação de Laura Cardoso com a dramaturgia ultrapassou a televisão. No teatro, trabalhou com diferentes diretores brasileiros e recebeu dois Prêmios Shell de Melhor Atriz.

No cinema, participou de mais de 20 filmes, entre eles “Imitando o Sol” (1964), “Terra Estrangeira” (1995), “Através da Janela” (2000) e “Copacabana” (2001).

Por “Através da Janela”, recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema Brasileiro de Miami. Já por “Copacabana”, ganhou o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, atualmente chamado de Prêmio Grande Otelo.

Prêmios e homenagens

Ao longo da carreira, Laura Cardoso recebeu reconhecimentos pelo trabalho no teatro, no cinema e na televisão.

Entre eles estão três troféus Grande Otelo, quatro prêmios APCA, dois Prêmios Shell e dois Troféus Imprensa.

Em 2002, recebeu o Troféu Mário Lago pelo conjunto da obra na televisão. Quatro anos depois, recebeu a Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo governo brasileiro a personalidades que contribuíram para a cultura nacional.

Em 2023, Laura celebrou mais de 80 anos de carreira.

Últimos trabalhos de Laura Cardoso

Mesmo após décadas de atuação, a atriz continuou trabalhando. Em 2025, aos 97 anos, participou do curta-metragem “Dona Rosinha”, no qual interpretou uma idosa abandonada pela filha. Esse foi seu último trabalho no cinema.

No mesmo ano, a atriz recebeu uma homenagem com uma estrela na calçada da fama dos Estúdios Globo.

Laura Cardoso deixa uma trajetória de mais de oito décadas e mais de 100 trabalhos em diferentes áreas da dramaturgia brasileira. Ao longo desse período, acompanhou as transformações do rádio, teatro, cinema e televisão e atravessou diferentes gerações de espectadores.

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