A história por trás de “A Banda”, clássico de Chico Buarque
Canção marcou o Festival de Música Popular Brasileira de 1966 e se tornou um dos maiores sucessos

Foto: Reprodução Instagram
Hoje considerada uma das músicas mais conhecidas da MPB, “A Banda” nasceu de uma combinação de inspiração, admiração e competição.
A história começou no Sandchurra, bar que funcionava na Galeria Metrópole, no centro de São Paulo. Em uma noite de 1966, Chico Buarque assistiu a uma apresentação de Gilberto Gil interpretando Rancho da Rosa Encarnada e saiu do local com uma ideia na cabeça.
Segundo informações publicadas no site oficial do compositor, Chico teria pensado: “Preciso fazer uma música para ganhar dessa no II Festival de Música Popular Brasileira”.
A partir desse impulso, ele escreveu “A Banda” e entregou a composição para Nara Leão defender no festival promovido pela TV Record.
O resultado apareceu rapidamente. Interpretada por Nara Leão, a música ultrapassou a marca de 100 mil cópias vendidas em menos de uma semana. No festival, a composição dividiu o primeiro lugar com Disparada, de Geraldo Vandré e Théo de Barros.
No entanto, a decisão final ainda desperta curiosidade entre fãs e pesquisadores da música brasileira. Segundo relatos do produtor Zuza Homem de Mello, que acompanhou a final, uma das canções recebeu mais votos do que a outra. Porém, as cédulas dos jurados foram guardadas em um cofre por determinação da direção da Record e nunca vieram a público.
Além disso, relatos da época apontam que o próprio Chico Buarque não tinha interesse em ser declarado vencedor único do evento.
Uma música diferente do clima dos festivais
Em 1966, os festivais de música conviviam com o contexto dos primeiros anos da ditadura militar. Muitas canções apostavam em discursos políticos e temas de protesto. Nesse cenário, A Banda seguiu um caminho diferente.
A composição retrata a passagem de uma banda de rua que, por alguns instantes, altera a rotina de uma cidade e de seus personagens. Anos depois, Chico explicou sua motivação: “A moda das canções de protesto me incomodava. Então fiz ‘A Banda’ e dei para a Nara gravar. Foi uma coisa meio proposital, tipo um ‘chega’”.
A repercussão da música ultrapassou o universo dos festivais. Carlos Drummond de Andrade dedicou uma crônica à composição. Já Nelson Rodrigues, conhecido por suas divergências com parte da produção cultural da época, também comentou a obra.
“Ouvi a marchinha genial e tive vontade de sair de casa, sentar no meio-fio e começar a chorar”, escreveu o dramaturgo.
Com o passar dos anos, a música também chegou a ser utilizada em uma campanha de alistamento militar durante o regime. Chico Buarque se posicionou contra o uso e pediu a retirada da canção da ação publicitária.
Lançada em 1966, A Banda atravessou décadas e continua entre as composições mais lembradas da música brasileira.
O que começou como uma reação de Chico Buarque a uma apresentação de Gilberto Gil acabou se transformando em uma obra que marcou gerações e consolidou seu espaço na história da MPB.