18 de maio de 2026 - 10:46

Documentário revela detalhes da última entrevista de John Lennon

Produção de Steven Soderbergh estreia em Cannes com gravação feita no dia do assassinato do ex-Beatle
Por Camila Pimentel - Educadora FM 90.9 • Atualizado há 16 horas

Foto da mostra de Bob Gruen

Horas antes de ser assassinado em Nova York, John Lennon falou sobre carreira, família, criatividade e planos para o futuro em uma entrevista que agora integra o documentário John Lennon: The Last Interview, dirigido por Steven Soderbergh. O filme estreou na última sexta-feira (15) durante o Festival de Cannes.

A gravação aconteceu em 8 de dezembro de 1980, mesmo dia em que Lennon foi morto em frente ao Edifício Dakota, onde morava com Yoko Ono.

Logo no início do documentário, o músico aparece refletindo sobre a própria trajetória artística. “Considero que meu trabalho não estará terminado até que eu esteja morto e enterrado, e espero que isso demore muito, muito tempo”, afirmou durante a conversa conduzida pela RKO Radio.

O casal concedeu a entrevista para divulgar o álbum Double Fantasy, lançado poucas semanas antes. Dave Sholin e Laurie Kaye comandaram a conversa, que durou mais de três horas e meia.

Durante a entrevista, Lennon demonstrou entusiasmo com a volta aos estúdios depois de um período afastado da indústria musical. O artista descreveu o processo criativo como uma “diarreia de criatividade” e contou que as músicas começaram a surgir naturalmente após a pausa de cinco anos.

Além disso, ele destacou a importância de Yoko Ono em sua vida pessoal e artística. Lennon chamou Yoko de “melhor amiga” e afirmou que trabalhar ao lado dela era “uma alegria”. O músico ainda comentou que apenas duas pessoas colaboraram diversas vezes com ele ao longo da carreira: Yoko Ono e Paul McCartney.

Em outro momento, Lennon falou sobre o assassinato de John F. Kennedy e afirmou que a morte do ex-presidente ajudou a transformá-lo em símbolo de esperança.

O documentário também apresenta conversas sobre o relacionamento entre Lennon e Yoko, incluindo o período de separação e a reconciliação do casal. Os dois ainda comentaram a rotina familiar ao lado do filho Sean, que tinha cinco anos na época. Lennon descreveu o menino como um “gêmeo” e afirmou que o filho o ensinou a ser autêntico.

Hoje com 50 anos, Sean Lennon também atua na música como cantor e multi-instrumentista.

A entrevista também traz reflexões do ex-Beatle sobre a relação com o filho mais velho, Julian Lennon, fruto do casamento com Cynthia Powell. Na época, Julian tinha 17 anos.

Durante a conversa, Lennon demonstrou arrependimento pela ausência na criação do filho. Após o divórcio dos pais, Julian viveu com a mãe enquanto o cantor mantinha uma relação distante com ele.

O período inspirou Paul McCartney a escrever “Hey Jude”, originalmente chamada “Hey Jules”, como forma de confortar o filho do amigo.

Em entrevista à Variety, Steven Soderbergh explicou que o interesse pela entrevista surgiu pela maneira espontânea como Lennon e Yoko se comportavam diante dos entrevistadores. “Fiquei surpreso com a abertura e o entusiasmo deles para conversar”.

“Tudo o que eles disseram há 45 anos não é apenas relevante hoje, mas ainda mais em termos de relacionamentos, política, como nos tratamos, como os sistemas afetam o indivíduo e, acima de tudo, a importância do amor em nosso dia a dia e no mundo”, completou.

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