Paapa Essiedu relata ataques racistas após escalação em nova série de Harry Potter

Foto: Getty Images for Harper's Bazaar UK
O ator Paapa Essiedu afirmou que passou a receber ataques racistas e ameaças de morte após ser escalado como Severo Snape na nova adaptação televisiva de Harry Potter, produzida pela HBO.
Em entrevista ao jornal The Times, ele revelou o teor das mensagens: “Desista ou vou te matar”.
Segundo o artista, a repercussão foi imediata e intensa. Ele destacou que nunca havia enfrentado uma reação semelhante ao longo da carreira.
Essiedu relatou que os ataques se tornaram frequentes nas redes sociais. De ascendência ganesa, ele apontou que as mensagens têm conteúdo racista e cresceram desde o anúncio oficial do elenco.
“Se eu abrir o Instagram, vou ver alguém dizendo que vai até minha casa para me matar”, contou.
Apesar disso, o ator disse que tenta seguir com o trabalho sem se deixar paralisar. “Ninguém deveria passar por isso apenas por fazer seu trabalho”, afirmou.
Na nova produção, Paapa Essiedu assume o papel de Severo Snape, personagem que ganhou destaque nos cinemas com Alan Rickman.
Ele reconheceu que o projeto exige dedicação de longo prazo e pode acompanhá-lo por vários anos. Ainda assim, afirmou que pretende transformar a experiência em impulso criativo.
“Isso me dá ainda mais vontade de fazer esse personagem do meu jeito”, disse.
O ator também destacou a importância da representatividade ao falar sobre sua relação com o universo da saga.
“Quando eu era criança, imaginava estar em Hogwarts. A ideia de que uma criança como eu pode se ver naquele mundo hoje é um incentivo enorme”, declarou.
A nova adaptação de Harry Potter já enfrentava debates públicos antes mesmo da estreia, especialmente por declarações de J.K. Rowling sobre identidade de gênero.
Essiedu assinou uma carta aberta em apoio à comunidade trans no Reino Unido, posicionando-se contra uma decisão da Suprema Corte britânica apoiada pela autora.
Mesmo diante das ameaças, o ator reforçou que pretende seguir no projeto.
“Eu estaria mentindo se dissesse que isso não me afeta. Mas não vou me intimidar por pessoas que prefeririam que eu morresse a ver meu trabalho ganhar vida.”